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20 de jul. de 2010

Derrubaram o Bar do Chico - Elaine Tavares

Acompanhem o artigo da jornalista Elaine Tavares publicado hoje, terça-feira, 20 de julho, no Notícias do Dia, aqui extraído (e linkado) do seu blog. 

Derrubaram o Bar do Chico, mas ele voltará!...


No raiar da manhã de uma sexta-feira de muito frio vieram os homens e as máquinas. Não avisaram ninguém. Em minutos, derrubaram o Bar do Chico, ponto cultural da comunidade do Campeche, que está na praia desde 1981. Lugar que é reconhecido pelas pessoas que vivem no bairro como espaço coletivo de encontro e lazer. É, porque o Campeche, até hoje, sequer um praça tem. Os espaços coletivos são os que a própria comunidade cria e o Bar do Chico era um deles.
Seu Chico é um homem simples, pescador, que nasceu e viveu toda sua vida no Campeche. Do mar, tirou o sustento dos 13 filhos que criou. Mas, quando no início dos anos 80, os barcos industriais começaram a varrer o mar, tirando o pão da boca dos pescadores artesanais, ele precisou se virar. Naqueles dias não havia quase nada no Campeche, a não ser os ranchos de pesca que acolhiam as canoas e os homens. Então, do rancho nasceu o bar e, logo em seguida, o lugar virou o coração do Campeche.
O Bar do Chico estava na beira da praia, feito de madeira e palha. Lugar simplesinho, como Chico. Não havia cercas, era território liberado para as famílias que vinham à praia, para as crianças pegarem uma sombra, para o uso gratuito do banheiro nestes tempos em que se paga para tudo. No bar do Chico as gentes celebravam o começo do ano, o meio do ano, a chegada do verão, da primavera, das tainhas, o carnaval. Era a praça coletiva.
Então, deu que o filho do Chico, Lázaro, se fez vereador. Homem sério, decidido, resoluto, do lado dos empobrecidos, dos sem casa, sem terra, sem nada. Incomodou demais. Angariou inimigos. Sem ter como atingi-lo, os políticos que se acham donos da cidade, decidiram se vingar no pai. Começou a perseguição ao Bar do Chico. A alegação é de que o mesmo estava construído nas dunas e isso não podia ser. Mas, por outro lado, por toda a parte, as dunas do Campeche iam sendo tomadas e não havia ninguém querendo destruir nada. Só o Bar do Chico.
É que o Campeche é um bairro chato demais. Aqui as pessoas participam da vida da cidade, elas fazem reuniões, brigam com a prefeitura, apresentam propostas, não aceitam a especulação, enfrentam empresários, fazem o diabo. As gentes do Campeche são incomodativas demais. Então, precisava um baque, um golpe só, para quebrar a espinha, a alma forte das famílias pescadoras.
Por quase vinte anos pairou a ameaça de derrubada. Mas, o povo nunca permitiu. Quando se anunciava a vinda, lá estava a comunidade, vigiando. Então, nesta sexta, vieram sem aviso. E quebraram a espinha do Campeche. Na manhã de sábado, na sede da Rádio Comunitária, as pessoas chegavam aos borbotões. Vinham chorando, indignadas, iradas, resolutas, aquilo não ficaria assim. Ninguém estava imóvel. O golpe não vingara. Não se quebrara a espinha, não se destruíra a alma. Pelo contrário. O que assomava era a velha e renovada força popular. “Reconstruiremos!”, diziam...
O Bar do Chico caiu. E todos sabem por quê. Por outro lado, enquanto a tal da “justiça” cristaliza uma vingança em cima de um homem velho e de uma comunidade guerreira, a Casan (estatal que cuida da água e do esgoto) premia os invasores privados das dunas com a passagem de rede de esgoto nas suas casas. O mesmo estado que derruba o espaço comunitário e livre do Campeche, é o que arranca 16 milhões de reais dos cofres públicos para construir um molhe na Praia da Armação, unicamente para salvar as propriedades privadas de famílias que invadiram a beira do mar. A justiça que derruba o coração do Campeche é a mesma que permite que o famoso jogador de tênis, Guga, desfrute privadamente das dunas e da praia do Campeche. A prefeitura derruba o Bar do Chico ao mesmo tempo em que libera a construção de casas no Morro do Lampião. Ou seja, para os ricos tudo, para as comunidades nada.
O que aconteceu nesta sexta-feira no Campeche não é nada de novo. É o estado e a justiça, instrumentos de uma classe, usando seu poder sobre quem lhes incomoda. A prefeitura, incomodada com os entraves ao plano diretor que o Campeche sempre põe, quis dar uma lição às gentes. Um cala a boca. Não vai conseguir.
O povo do Campeche quer seu espaço de volta e vai reerguê-lo com as próprias mãos, a menos que cada casa, cada hotel, cada condomínio, cada espaço privado seja também demolido. Se não for assim, o Bar do Chico vai viver outra vez. Ah, vai...
E o primeiro momento de reconstrução acontece neste sábado, dia 24, a partir das três horas da tarde. O Campeche está convidando toda a cidade para vir ajudar. Aqui não vai acontecer como no poema, no qual eles vem, pisam o nosso jardim e ninguém diz nada. Aqui, quando alguém pisa no jardim do vizinho, as gentes se levantam. Hoje pisaram no jardim do Campeche. Pois vão conhecer a força do povo!
Ato Público: Dia 24 de julho. 15h. Em frente ao bar do Chico. Traga seus instrumentos de trabalho.

22 de jul. de 2010

Bar do Chico - Campeche

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Sobre a questão do Bar do Chico, que a Floram demoliu e a comunidade garante que vai reconstruir, vejam essa nota em alguns jornais (DC e Horasc) hoje.

BAR DO CHICO
Moradores prometem reconstrução

Moradores da Praia do Campeche, no Sul da Ilha, em Florianópolis, prometem fazer um mutirão para reconstruir o Bar do Chico. O local foi demolido pela Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram) em 16 de julho por estar em uma área de preservação. A reconstrução está programada para sábado. O presidente da Associação de Moradores do Campeche (Amocam), Ataíde Silva, explicou que cerca de 150 moradores iniciarão os trabalhos para reerguer o bar, que funcionava desde 1980. Silva diz que a demolição revoltou a comunidade, pelo valor histórico do bar:
– Vamos nos mobilizar no local com materiais e ferramentas e elaborar um projeto para ver quanto isso vai custar para os moradores.
O diretor superintendente da Floram, Gerson Basso, diz que a área onde estava bar é pública e qualquer pessoa que invada e tente fazer uma obra sofrerá a fiscalização da polícia ambiental. O comandante do 1º Batalhão de Polícia Militar Ambiental em Florianópolis, Marcelo Duarte, já salientou que o efetivo estará preparado para intervir em qualquer ação que ultrapasse uma manifestação pacífica. Ele adverte, também, que a tentativa de reerguer o bar pode ocasionar prisões.

...
Com toda certeza a força policial estará lá com todos os pelotoes como fazem contra estudantes, trabalhadores, manifestantes em geral. A imprensa deve registrar tudo. Vamos ver o que dá. 
Eu ja disse na outra postagem sobre isso, que poucas coisas me tiram do Mercado Público numa manhã de sábado, mas que muito provavelmente estaria la, e agora acho ate que posso afirmar isso. 
A lamentar, ficar a missão de bater de frente com a comunidade justamente para o Sub Tenente Marcelo,
promovido semana passada, nosso amigo, um parceirão de toda as horas.      

21 de jul. de 2010

Ainda sobre o Bar do Chico (demolido)

Para quem ja viu a postagem sobre a demolição do bar do seo Chico no Campeche, aquie estão algumas fotos que recebi por email, infelizmente sem identificação.

O operador da maquina ai, coitado, é usado como um militar que vai para a guerra DOS OUTROS.
Sobre isso, dê uma olhadinha (se você ainda não viu) no vídeo (postagem) mais abaixo
"Discuros de um Soldado Americano", que todos sabemos, ou pelo menos boa parte de nós,
mas poucos dizem com tanta coragem e propriedade. 

Mas continuemos aqui com a fotos do "espetáculo (deles) da demolição do Bar do Chico  









Fotos:Internet

30 de set. de 2011

VAMOS REAGIR

Uma coisa que para mim sempre soa como piada é quando abrimos a boca para falar dessas coisas e logo aparecen os defensores dos canalhas.
Ano passado, quando gritamos pelo Bar do Chico, não faltaram respostas do tipo... "e isso mesmo, tem que tirar a pobreza de la e deixar construir, etc."
Assim também foi com o caso do estaleiro em Biguaçú, e está sendo agora, por exemplo, com a história da Ponta do Coral, por exemplo.
Alias, sobre a Ponta do Coral, com algumas alterações acho ate que não haveria problema. 
Mas do jeito como querem enfiar o projeto original, ai não.
Meu comentário no blog do Cacau quando surgiu essa outra polêmica está > AQUI

Agora assistam ao vídeo ao lado. 

Outras postagens do blog sobre o caso do Bar do Chico > CLIQUE AQUI

27 de jan. de 2011

É verão... bom sinal... já é tempo....

Volta e meia o Cacau manda umas dessas. Mas volta e meia eu também me atravesso com algumas de suas notas. Normal. Mas essa de hoje me levou ao anos 70/80 na Joaquina, o torpedo de siri no Bar do Chico... os principais pilotos de asa delta do Brasil e ate de fora colorindo os céus da Ilha, do Morro da Cruz, da Lagoa, da Mole... as cocotinhas, o quiosqui, o Estúdio A2, do Beto Stodiek... putz...  
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Cacau Menezes (DC, 27/01/2011) - Manifesto de Verão

Olhando para trás, nos últimos 40 anos, muita coisa mudou. Aqui e no mundo. Dionne Warwick cantava “The look of love” para que nossos corações apaixonados pudessem dançar com a mulher amada, cujo perfume exalava gardênia e o sorriso nos lábios cor de cereja anunciava a alegria da vida. Os beach clubs eram barracos de madeira, como o Bar do Chico na Joaquina, onde todos podiam tomar cerveja gelada, caipirinha e “torpedos” de siri. Os mariscos eram de graça. Bastava mergulhar em volta de pedra careca, logo ali na frente. A beleza das meninas era natural. Caras lavadas pela água salgada e bronzeadas pelo sol do verão. Não havia botox, silicone e nem medo do câncer de pele. Camada de ozônio era assunto para cientista. Não se dava muita importância para os carros ou para as casas onde moravam as pessoas. Uns eram mais afortunados, outros menos. Todos eram mais felizes. Também não se freqüentava o psicanalista, psiquiatra ou psicólogo. Não era preciso, talvez. As pessoas iam se ajudando como podiam, moldando suas vidas de acordo com as possibilidades. Ajudavam e eram ajudadas. A solidariedade humana não custava tão caro. Dar um prato de comida, uma roupa usada ou até um trocado para o necessitado não prejudicava ninguém. Algumas pessoas mais abastadas até ajudavam seus empregados a construírem suas próprias casas. Havia gratidão e fidelidade entre patrão e empregado. A Ilha era quase virgem, os preços dos imóveis acessíveis aos cidadãos. Não havia engarrafamento, poluição, tanta droga e criminalidade. Vivíamos no paraíso e não sabíamos.
Não se falava em produtividade, não havia cybers-dependentes na juventude, não havia tanta falsidade e egoísmo. As crianças brincavam nas ruas e nos terrenos vazios. Uma lata de leite em pó, cheia de brita e puxada por um barbante, virava um brinquedo emocionante. Hoje é preciso um laptop com muitos megabytes e uma Ferrari para que muitos possam dizer: Eu sou alguém, eu valho alguma coisa…E a amizade passou a ser assunto cibernético… Já não temos tempo para os amigos
Ai que saudade que eu tenho da minha Lagoa, que era (só) minha e da Conceição…

1 de out. de 2011

AINDA SOBRE O CAMPECHE

Essa é a materia do Jornal do Almoço de ontem, sexta-feira, 30/09 sobre a questão do Campeche, que o blog ja vem tratando desde a demoliçãodo Bar do Chico no ano passado.
Realmente eles estão brincando com as coisas da cidade, ou estão mesmo enchendo os bolsos e se garantino enquanto estão governando.  

28 de dez. de 2010

Deve ser o bar da Chica...

... sim, porque o do Chico foi p/ chão e não teve papo. 

...
Para que possa ler melhor, salve a imagem clicando com o esquerdo do mouse sobre


Só para lembar...